Exercício de defesa durante passagem de asteroide foi bem sucedido | Ciência e Saúde


Objetos como o 2012 TC4 passam ao menos três vezes por ano a uma distância relativamente próximda da Terra (Foto: Nasa)Objetos como o 2012 TC4 passam ao menos três vezes por ano a uma distância relativamente próximda da Terra (Foto: Nasa)

Objetos como o 2012 TC4 passam ao menos três vezes por ano a uma distância relativamente próximda da Terra (Foto: Nasa)

Um pequeno asteroide muito brilhante passou muito perto da Terra nesta quinta-feira (12) e, embora não representasse nenhum perigo, permitiu aos cientistas se prepararem para o dia em que um destes objetos significar uma ameaça real.

“Considero que o exercício foi um grande sucesso”, declarou à AFP Detlef Koschny, co-diretor do setor de Objetos próximos da Terra (Near-Earth Objects) da Agência Espacial Europeia (ESA).

“Agimos como se fosse um objeto ‘crítico’ e nos exercitamos no plano de troca de informações, utilizando telescópios e sistemas de radar”, acrescentou o cientista. “Estávamos bem preparados e a maioria das observações e comunicados funcionaram como previsto”, ressaltou.

Batizado de “2012 TC4”, o asteroide se deslocou entre a Terra e a Lua a uma distância mínima menor que 44.000 km, mas longe dos 36.000 km em que os satélites geoestacionários de telecomunicações orbitam.

A passagem do asteroide “não era preocupante, mas aproveitaremos para treinar”, disse Detlef Koschny.

“Assim, o dia em que chegar um objeto realmente perigoso, teremos ensaiado várias vezes antes”, acrescentou.

O exercício foi coordenado pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, junto com a Nasa, a ESA e vários observatórios do mundo.

Tratou-se de um “objeto muito pequeno, menor do que o previsto, medindo entre 10 e 12 metros”, segundo Koschny.

O asteroide 2012 TC4 “é muito brilhante e reflete cerca de 40% de sua luz”, indicou Detlef Koschny, acrescentando que ele gira em torno de si mesmo em 12 minutos, “o que é muito rápido”.

A passagem de asteroides perto da Terra “é bastante frequente”, mas o que “faz com que este seja um evento especial” é que a rocha foi objeto de “um exercício de defesa planetária”, disse à AFP Michael Kelley, da divisão Estudos de Planetas da Nasa.

Vários observatórios no mundo puderam acompanhar simultaneamente o objeto nos últimos dias e até mesmo alguns amadores conseguiram fazer imagens, de acordo com o cientista.

Contudo, alguns telescópios tiveram dificuldades. Esse foi o caso do de Arecibo em Porto Rico, que parou de funcionar após a passagem recete de furacões na região. “Mas por sorte, um outro radar americano pode ser utilizado nas últimas noites”, explicou Detlef Koschny.

“Exatamente por isso fizemos esse exercício: para não sermos surpreendidos por esse tipo de coisa”, ressaltou.

O objeto, que dá uma volta completa no Sol em 609 dias, foi descoberto há cinco anos, antes de desaparecer de vista.

Voltou a ser detectado de novo este ano pelo telescópio VLT do Observatório Europeu Austral, no Chile, permitindo aos astrônomos calcularem sua trajetória com precisão.

Assim, determinaram que na sua próxima passagem perto da Terra, em 2050, sua órbita terá sido modificada e que não colidirá com o planeta. Mas não é impossível que isso aconteça em 2079, segundo os especialistas.

O asteroide tem um tamanho similar ao meteorito de 20 metros de diâmetro que se desintegrou sobre a cidade de Cheliabinsk, no centro da Rússia, em fevereiro de 2013.

Ao perceber a bólide luminosa no céu, as pessoas correram para as janelas, mas a onda de choque fez com que os vidros quebrassem. Houve mais de 1.300 feridos.

Se o asteroide 2012 TC4 pudesse se chocar contra a Terra, não seria necessário, a princípio, evacuar a população, mas simplesmente “advertir as pessoas de que se afastassem das janelas”, segundo Koschny.



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